Câncer de vagina e vulva: diferenças, sintomas e a importância do diagnóstico precoce

Compartilhe a publicação
Câncer de vagina e vulva: diferenças, sintomas e a importância do diagnóstico precoce

26 nov. de 2025

27/11 – Dia Mundial de combate ao Câncer

 

Embora ainda pouco discutidos, o câncer de vagina e o câncer de vulva exigem atenção constante das mulheres e acompanhamento regular com o ginecologista. Apesar de surgirem na mesma região anatômica são doenças distintas, com comportamentos, sintomas e tratamentos diferentes.

O Dr. Caetano da Silva Cardeal, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica que a primeira diferença está na anatomia. “A vulva é a parte externa do genital feminino, onde há pelos, e é composta pelo monte de Vênus, grandes lábios, pequenos lábios e clitóris. Já a vagina é o canal interno que liga a vulva ao colo do útero. Tumores externos são classificados como câncer de vulva; já os que surgem no canal vaginal são cânceres de vagina”, esclarece.

O especialista reforça que o câncer de vulva costuma ter crescimento mais lento e causar sintomas perceptíveis, enquanto o câncer de vagina, geralmente mais agressivo, pode evoluir silenciosamente e ser detectado apenas no exame ginecológico de rotina.

Os sintomas iniciais também variam e, muitas vezes, são confundidos com condições comuns. “O sinal mais frequente do câncer de vulva é a coceira persistente, mas também podem surgir manchas, nódulos ou feridas que não cicatrizam”, afirma Dr. Caetano. Ardor ao urinar, frequentemente confundido com infecção urinária, e dor durante a relação sexual também merecem atenção. Já no câncer de vagina, os indícios tendem a ser menos evidentes: sangramento fora do período menstrual ou, após a menopausa, corrimento anormal, dor durante a relação e sensação de nódulo ou massa na região pélvica.

Os fatores de risco também diferem, embora ambos tenham relação direta com a infecção pelo HPV, principalmente pelos subtipos 16 e 18 – prevenidos pela vacina. No caso do câncer de vulva, além do HPV, o líquen escleroso (doença autoimune que causa atrofia e prurido intenso) é um fator importante a ser considerado, especialmente em mulheres pós-menopausa. Tabagismo, imunossupressão, presença de lesões precursoras e histórico de tratamentos como radioterapia também aumentam o risco. “Mulheres fumantes, por exemplo, ou que já tiveram lesões na vulva precisam de acompanhamento mais rigoroso”, afirma o especialista. Já para o câncer de vagina, o principal fator continua sendo o HPV, especialmente em pacientes que já apresentaram neoplasia intraepitelial cervical (NIC) ou vaginal.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por avaliação clínica mais detalhada. Na vulva, o ginecologista observa manchas, feridas e irregularidades e, se necessário, realiza a vulvoscopia para ampliar a visualização da área suspeita. Feridas que não cicatrizam por mais de três semanas e associadas a prurido devem ser biopsiadas, alerta o médico. Já o diagnóstico do câncer de vagina depende do exame especular, que permite visualizar todas as paredes do canal vaginal. Se houver suspeita, são realizadas colposcopia e biópsia. Após a confirmação, exames de imagem como ultrassom, ressonância magnética, tomografia e PET-CT complementam e orientam o tratamento.

Tratamentos

Os tratamentos variam conforme o estágio da doença. No câncer de vulva, a cirurgia é o tratamento padrão nos estágios iniciais, podendo incluir retirada da lesão e, em alguns casos, dos linfonodos inguinais. Para tumores maiores ou avançados, combinações de radioterapia e quimioterapia podem reduzir a doença antes de uma eventual cirurgia. Já no câncer de vagina, apenas tumores muito pequenos (menores que 2 cm) costumam ser operados; para os demais, a radioterapia associada à quimioterapia é o tratamento mais comum. “Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de cura”, enfatiza Dr. Caetano. Tumores iniciais de vulva têm índices de cura entre 80% e 90%, já nos casos mais avançados – com linfonodos comprometidos, comprometimento de vagina e ânus – essas taxas caem, mas ainda com possibilidade de tratamento. A imunoterapia também começa a despontar como alternativa em pesquisas para casos específicos de câncer de vulva.

O especialista reforça que a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais. A vacinação contra o HPV, o acompanhamento regular com o ginecologista e a atenção às mudanças no corpo são medidas essenciais. Conhecer a própria vulva e procurar atendimento diante de qualquer alteração é um passo decisivo para identificar precocemente lesões que podem salvar vidas”, finaliza.

Veja mais conteúdos

Teste genético que identifica mutações hereditárias para câncer de mama fará parte do SUS Notícias Ver notícia
Teste genético que identifica mutações hereditárias para câncer de mama fará parte do SUS

20 maio. de 2026

Leite materno: verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças Notícias Ver notícia
Leite materno: verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças

19 maio. de 2026

FEBRASGO alerta: implantes hormonais manipulados não têm comprovação de segurança e eficácia Notícias Ver notícia
FEBRASGO alerta: implantes hormonais manipulados não têm comprovação de segurança e eficácia

18 maio. de 2026

Comissão aprova audiência pública sobre má prática obstétrica com participação da FEBRASGO Notícias Ver notícia
Comissão aprova audiência pública sobre má prática obstétrica com participação da FEBRASGO

15 maio. de 2026

LGBTQIA+: Fertilidade ainda é discutida tarde demais e pode ser comprometida por hormônios e cirurgias Notícias Ver notícia
LGBTQIA+: Fertilidade ainda é discutida tarde demais e pode ser comprometida por hormônios e cirurgias

15 maio. de 2026

Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO Notícias Ver notícia
Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO

15 maio. de 2026

Nota FEBRASGO – CADERNETA BRASILEIRA DA GESTANTE Notícias Ver notícia
Nota FEBRASGO – CADERNETA BRASILEIRA DA GESTANTE

14 maio. de 2026

Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo Notícias Ver notícia
Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo

08 maio. de 2026

Endometriose exige atenção e acompanhamento para evitar impactos na saúde feminina Notícias Ver notícia
Endometriose exige atenção e acompanhamento para evitar impactos na saúde feminina

07 maio. de 2026

Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero Notícias Ver notícia
Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero

06 maio. de 2026

AMB celebra 75 anos com lançamento da pedra fundamental de sua nova sede em São Paulo Notícias Ver notícia
AMB celebra 75 anos com lançamento da pedra fundamental de sua nova sede em São Paulo

05 maio. de 2026

Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos Notícias Ver notícia
Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos

04 maio. de 2026