Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero

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Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero

06 maio. de 2026

Na terça-feira, 5 de maio, representantes do governo, de entidades médicas e de instituições ligadas à oncologia participaram de uma audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) para discutir políticas públicas voltadas aos cânceres de ovário e do colo do útero. Entre os pontos centrais do debate estiveram o fortalecimento da vacinação contra o HPV, a ampliação das ações do Ministério da Saúde e a necessidade de diretrizes mais objetivas e efetivas para a população.

A FEBRASGO esteve representada pelo diretor científico, Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, que participou da discussão ao lado da diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Daniele Assad-Suzuki; da representante do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), Marcella Salvadori; do diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Roberto de Almeida Gil; além de representantes do governo federal.

O câncer do colo do útero segue com alta incidência e mortalidade no Brasil, sobretudo entre mulheres das regiões Norte e Nordeste. Durante a audiência, foi ressaltado que, para mudar esse cenário, não basta ampliar o rastreamento: é fundamental avançar na vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) entre meninas e meninos, incluindo adolescentes, como estratégia capaz de contribuir para a eliminação da doença no futuro.

Vacinação é estratégia central

Entre os dez tipos de câncer mais frequentes entre as mulheres no Brasil, três são ginecológicos: câncer do colo do útero, câncer de endométrio e câncer de ovário.

Atualmente, a vacina quadrivalente contra o HPV, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus, é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, de ambos os sexos. Já a vacina nonavalente está disponível no país apenas na rede privada.

Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, o Brasil registra cerca de 17 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano. As metas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminação da doença incluem a vacinação de 90% de meninas e meninos de 9 a 14 anos, índice que o país ainda não alcançou.

Durante sua participação, Dr. Agnaldo destacou que a maioria dos casos de câncer do colo do útero ainda é diagnosticada em estágios avançados, o que compromete os resultados do tratamento e reforça as desigualdades de acesso à saúde. “A questão de gênero tem importância muito grande. Várias mortes poderiam ser evitadas. A taxa de sobrevida do câncer em um país desenvolvido chega a mais de 70%, mas em país de baixa renda é menos de 20%. A gente já conhece muito bem a história natural da doença e, realmente, não mudou as nossas estatísticas”, afirmou.

A representante do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), Marcella Salvadori, também reforçou que o câncer do colo do útero continua sendo um importante problema de saúde pública no país, marcado por desigualdades regionais e fortemente associado à vulnerabilidade social.

Fonte: Agência Senado

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