Violência contra a mulher: médicas também são vítimas

Compartilhe a publicação
Violência contra a mulher: médicas também são vítimas

14 jul. de 2025

Especialista destaca pontos para aumentar a segurança durante o exercício profissional

Os dados do Atlas da Violência 2025 demonstram: de um total de 275.275 registros relacionados à violência contra mulheres (2023), mais de 177mil se enquadram em casos de violência doméstica, o que corresponde a 64,3% de todas as queixas registradas contra pessoas do sexo feminino.

“Além deste dado sobre violência doméstica, é preciso lembrar que nós, médicas, também estamos sujeitas à violência durante o exercício da nossa profissão, seja por parte do paciente ou de um colega de trabalho. Dados apontam que 51,14% das médicas já sofreram agressões verbais ou físicas”, comenta Dra. Maria Auxiliadora Budib, ginecologista membro do Núcleo Feminino e da Comissão Nacional Especializada em Defesa e Valorização Profissional da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Comprometida com o pleno respeito à saúde e bem-estar das mulheres, a FEBRASGO lidera a Campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher, em todas as fases da vida, incluindo a mulher médica em exercício. “Queremos questionar e romper com os discursos que alimentam a violência, incentivando uma reflexão contínua e consciente sobre o tema”, comenta a médica.

Neste sentido, ela considera importante alguns pontos para que as médicas possam expandir o tema e, ao mesmo tempo, tentar obter maior segurança no ambiente de trabalho.

  1. Conhecer a magnitude do problema – No Brasil, mais da metade das médicas já enfrentou agressões: 62,6 % relataram assédio no ambiente de trabalho e 51,1 % sofreram violência verbal ou física. É importante que elas possam conversar e debater sobre estes indicadores.
  2. Identificar os tipos de violência – Violências dos tipos física, sexual, moral, psicológica e/ou patrimonial podem ocorrer no ambiente hospitalar ou no consultório e podem ser causadas por pacientes, familiares ou colegas. Identificá-las é importante para denunciá-las e combatê-las (leia aqui).
  3. Entender o que pode desencadear situações de violência – Alguns cenários aumentam o risco de agressões contra médicas, como:
  • Falta de comunicação clara entre profissionais de saúde e pacientes ou familiares;
  • Superlotação de hospitais e serviços de emergência, que gera tensão e impaciência;
  • Frustração de pacientes com diagnósticos, tempo de espera ou limitações do sistema de saúde;
  • Ausência de suporte institucional, como falta de profissionais de segurança, câmeras ou canais eficazes para relatar agressões.

Esses fatores, somados, criam um ambiente propício para episódios de violência e precisam ser reconhecidos para que possam ser prevenidos.

  1. Ter protocolos de segurança pré-definidos – Garanta que existam protocolos de segurança no seu local de trabalho. É essencial que clínicas, hospitais e demais ambientes médicos tenham medidas bem definidas para proteger suas profissionais. Isso inclui:

Programas de orientação sobre como identificar e lidar com situações de assédio, violência e esgotamento emocional (burnout);

Ações voltadas à saúde mental das equipes, com espaços de escuta e acolhimento;

Medidas de segurança preventiva, como presença dos profissionais de segurança, câmeras, botões de pânico e regras claras sobre o que fazer em caso de agressão.

Ter protocolos claros aumenta a segurança e mostra que a instituição leva a sério a proteção das médicas e demais profissionais.

  1. Dispor de canais oficiais para denúncia – Alguns Conselhos Regionais de Medicina contam com canais específicos para relatar violência, garantindo apoio e acompanhamento. Tenha estes contatos em mãos.
  2. Denunciar à rede pública especializada – Em casos graves, procure as Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAMs), o Disque 180 ou o Ministério Público para ativar medidas protetivas.

 

Veja mais conteúdos

Teste genético que identifica mutações hereditárias para câncer de mama fará parte do SUS Notícias Ver notícia
Teste genético que identifica mutações hereditárias para câncer de mama fará parte do SUS

20 maio. de 2026

Leite materno: verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças Notícias Ver notícia
Leite materno: verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças

19 maio. de 2026

FEBRASGO alerta: implantes hormonais manipulados não têm comprovação de segurança e eficácia Notícias Ver notícia
FEBRASGO alerta: implantes hormonais manipulados não têm comprovação de segurança e eficácia

18 maio. de 2026

Comissão aprova audiência pública sobre má prática obstétrica com participação da FEBRASGO Notícias Ver notícia
Comissão aprova audiência pública sobre má prática obstétrica com participação da FEBRASGO

15 maio. de 2026

LGBTQIA+: Fertilidade ainda é discutida tarde demais e pode ser comprometida por hormônios e cirurgias Notícias Ver notícia
LGBTQIA+: Fertilidade ainda é discutida tarde demais e pode ser comprometida por hormônios e cirurgias

15 maio. de 2026

Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO Notícias Ver notícia
Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO

15 maio. de 2026

Nota FEBRASGO – CADERNETA BRASILEIRA DA GESTANTE Notícias Ver notícia
Nota FEBRASGO – CADERNETA BRASILEIRA DA GESTANTE

14 maio. de 2026

Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo Notícias Ver notícia
Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo

08 maio. de 2026

Endometriose exige atenção e acompanhamento para evitar impactos na saúde feminina Notícias Ver notícia
Endometriose exige atenção e acompanhamento para evitar impactos na saúde feminina

07 maio. de 2026

Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero Notícias Ver notícia
Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero

06 maio. de 2026

AMB celebra 75 anos com lançamento da pedra fundamental de sua nova sede em São Paulo Notícias Ver notícia
AMB celebra 75 anos com lançamento da pedra fundamental de sua nova sede em São Paulo

05 maio. de 2026

Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos Notícias Ver notícia
Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos

04 maio. de 2026