Luto materno: como oferecer apoio adequado após a perda de um bebê

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Luto materno: como oferecer apoio adequado após a perda de um bebê

26 jun. de 2025

Especialista da FEBRASGO explica como identificar sinais de sofrimento psíquico e orienta sobre o acolhimento à mulher enlutada

O puerpério é, por si só, um período de grande vulnerabilidade emocional. Quando, além das mudanças hormonais e da exaustão física, a mulher enfrenta a perda do recém-nascido, o risco de desenvolver transtornos psíquicos se intensifica. A psiquiatra Dra. Carmita Helena Najjar Abdo, membro da Comissão Nacional Especializada em Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica que o luto materno pode desencadear quadros depressivos graves — e que o acolhimento adequado é essencial para a saúde da mulher.

“Se essa depressão for leve e passageira, é chamada de blues. Mas podem ocorrer situações mais graves, inclusive com características psicóticas. Imagine uma mulher que dá à luz e, em seguida, perde o bebê. Se ela já tiver tendência depressiva, pode desenvolver um quadro severo, dependendo de fatores como genética, recursos internos, rede de apoio e seu histórico de vida”, explica a especialista.

Para Dra. Carmita, o primeiro passo é avaliar o quanto esse luto afetou a saúde física e emocional da mulher. “Em razão da depressão, ela pode deixar de se alimentar adequadamente, ter distúrbios do sono e isso compromete o corpo também. Um acompanhamento cuidadoso, feito por psicólogo e/ou psiquiatra, é fundamental.”

Uma vez identificado um quadro depressivo, ansioso ou de estresse pós-traumático, não há espaço para negligência. “A mulher está num momento de extrema fragilidade, em que o funcionamento hormonal não está equilibrado. Isso pode agravar ainda mais os sintomas psíquicos”, alerta a psiquiatra.

Despedida simbólica e rede de apoio – Do ponto de vista psíquico, é importante que os pais tenham a oportunidade de se despedir do bebê e de contar com apoio mútuo e familiar. “A dor precisa ser compartilhada. Foram meses de espera, sonhos alimentados — e de repente, tudo isso desaparece. A expectativa era de receber alguém, não de perdê-lo. É uma dor imensa, que exige cuidado e escuta. E o papel da família é fundamental nesse processo.”

A caixa do bebê – Algumas maternidades oferecem a chamada “caixa do bebê” — um conjunto de objetos simbólicos que pertenceriam à criança que não sobreviveu. Para a especialista, esse recurso pode ajudar no processo de elaboração do luto. “Se os pais concordarem, a caixa pode representar uma forma de dar limite à dor. É um espaço simbólico que guarda a lembrança, não permitindo que o sofrimento ocupe toda a existência. Não se trata de negar a perda, mas de aprender a conviver com ela, aos poucos retomando a vida.”

 

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