Entenda o que é a bactéria transmitida sexualmente que é resistente a antibióticos

Compartilhe a publicação
Entenda o que é a bactéria transmitida sexualmente que é resistente a antibióticos

27 jul. de 2018

      Descoberta há menos de 40 anos, mas pouco conhecida até agora, a bactéria Mycoplasma genitalium (MG) entrou no radar de especialistas, principalmente na Europa, por conta da resistência que vem desenvolvendo aos antibióticos usados no tratamento. Ela é transmitida sexualmente e pode provocar infecções nos órgãos sexuais de homens e mulheres, incluindo o risco de infertilidade ou complicações durante a gestação. No final da semana passada, a Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV (BASHH, na sigla em inglês) emitiu um alerta com novas diretrizes de tratamento para evitar que a MG se torne uma “superbactéria” nos próximos dez anos. Sua disseminação ocorre principalmente no continente europeu, mas o Ministério da Saúde monitora a circulação no Brasil. O problema é que há poucos dados sobre a incidência no país.

         A infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela MG não é de notificação compulsória no país. Por isso, não se sabe exatamente quantos casos há no Brasil. Além disso, apenas uma pequena parcela das pessoas infectadas manifesta sintomas, o que pode fazer com que a transmitam sem saber. Quando a doença se manifesta, os sintomas podem causar grande desconforto.

        Ministério da Saúde informou, em nota, que monitora desde o ano passado a ascensão da MG, “que ocorre principalmente no continente europeu, tanto pelo aumento da prevalência quanto pelo aumento da resistência antimicrobiana”. A pasta informou ainda que existem no país estudos de prevalência regionais que demonstram que a bactéria é muito menos frequente que outros agentes como o da gonorreia e o da clamídia.

Resistência a antibióticos

        O ginecologista Newton Sérgio de Carvalho, membro da Comissão Nacional Especializada de Doenças Infecto-contagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que esta bactéria não tem uma “carapaça” que envolve as bactérias, a membrana citoplasmática. Isso já é um fator que a torna resistente a uma série de antibióticos que atuam degradando justamente essa parte. “De acordo com o médico, para as “Quinolonas”, uma classe de antimicrobianos indicada para esse tipo de bactéria, a MG já apresenta uma média de 5 a 10% de resistência.

— Sua própria constituição, portanto, tem uma resistência natural. O segundo ponto é que, mesmo com antibióticos usuais, a bactéria tem uma capacidade de criar resistência a eles, fazendo com que não funcionem. Alguns que têm efeito para clamídia, por exemplo, não funcionam para ela. Mesmo em antibióticos mais modernos ela tem apresentado resistência — afirma o médico, que é professor titular de ginecologia da Universidade Federal do Paraná. — É um agente emergente e recente, descoberto em 1980, que está se tornando cada vez mais resistente.

        O ginecologista destaca que a MG é uma preocupação para todos os lugares do mundo, incluindo o Brasil. Tem uma prevalência de 1 a 2% na população geral. O índice cresce para cerca de 10% entre os adolescentes, diz ele.

— É pouco conhecida. Ficamos com a clamídia no foco e se perde a MG, o que não deveria acontecer. A clamídia tem muito menos resistência e responde melhor aos antibióticos mais simples.

        Além disso, a MG é um micro-organismo que pode não causar sintomas. Na maioria das vezes, a pessoa tem a bactéria e não sabe disso. A partir daí, poderia, no futuro, sofrer consequências da infecção sem saber a origem do problema. Das pessoas contaminadas, segundo Newton, apenas 10% apresenta sintomas.

Fonte – O Globo

Veja mais conteúdos

Teste genético que identifica mutações hereditárias para câncer de mama fará parte do SUS Notícias Ver notícia
Teste genético que identifica mutações hereditárias para câncer de mama fará parte do SUS

20 maio. de 2026

Leite materno: verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças Notícias Ver notícia
Leite materno: verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças

19 maio. de 2026

FEBRASGO alerta: implantes hormonais manipulados não têm comprovação de segurança e eficácia Notícias Ver notícia
FEBRASGO alerta: implantes hormonais manipulados não têm comprovação de segurança e eficácia

18 maio. de 2026

Comissão aprova audiência pública sobre má prática obstétrica com participação da FEBRASGO Notícias Ver notícia
Comissão aprova audiência pública sobre má prática obstétrica com participação da FEBRASGO

15 maio. de 2026

LGBTQIA+: Fertilidade ainda é discutida tarde demais e pode ser comprometida por hormônios e cirurgias Notícias Ver notícia
LGBTQIA+: Fertilidade ainda é discutida tarde demais e pode ser comprometida por hormônios e cirurgias

15 maio. de 2026

Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO Notícias Ver notícia
Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO

15 maio. de 2026

Nota FEBRASGO – CADERNETA BRASILEIRA DA GESTANTE Notícias Ver notícia
Nota FEBRASGO – CADERNETA BRASILEIRA DA GESTANTE

14 maio. de 2026

Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo Notícias Ver notícia
Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo

08 maio. de 2026

Endometriose exige atenção e acompanhamento para evitar impactos na saúde feminina Notícias Ver notícia
Endometriose exige atenção e acompanhamento para evitar impactos na saúde feminina

07 maio. de 2026

Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero Notícias Ver notícia
Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero

06 maio. de 2026

AMB celebra 75 anos com lançamento da pedra fundamental de sua nova sede em São Paulo Notícias Ver notícia
AMB celebra 75 anos com lançamento da pedra fundamental de sua nova sede em São Paulo

05 maio. de 2026

Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos Notícias Ver notícia
Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos

04 maio. de 2026