A parceira do homem disfuncional

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A parceira do homem disfuncional

12 jul. de 2017

Quando o homem apresenta algum problema em sua saúde sexual – de desejo sexual, disfunção erétil, ejaculação precoce – é comum que a persistência de um destes problemas acabe levando a disfunção sexual na parceira. Uma disfunção sexual masculina (DSM) com o decorrer do tempo pode prejudicar o interesse e o desempenho da parceira, levando-a a experienciar falta de desejo sexual, problemas na excitação ou dificuldades em vivenciar o orgasmo. Os casais em que o homem tem disfunção erétil  tem mais problemas relacionais e a mulher apresenta insatisfação sexual(1) . Mesmo com o tratamento, as expectativas da mulher em relação ao seu parceiro podem não ser atingidas. Em nossa prática clínica de ginecologista com atuação em sexologia, o que a mulher deseja realmente com o tratamento do problema sexual de seu parceiro é:
  • Que ele seja mais carinhoso no dia-a-dia;
  • Que exista mais intimidade entre eles;
  • Sentir-se mais amada, desejada;
  • Livrar-se de alguns fantasmas (de não ser mais atraente, culpa, etc) e medos (traição, separação, etc);
  • Que ele propicie mais carícias durante todo o jogo sexual;
  • Que a vida sexual volte ao normal, “como antigamente”;
  • Que sinta satisfeita sexualmente.
É seu desejo que o médico visualize o tratamento não apenas na questão do prazer/desprazer (ao propor recuperar a função), mas também as questões emocionais e relacionais. No caso, por exemplo, da disfunção erétil (DE), o médico deveria lembrar que atrás de um pênis com dificuldades, existe uma pessoa e do lado dela, outra, portanto, seu objetivo não pode ser o de apenas tratar a disfunção e sim de promover a adequação sexual. Adequação sexual existe quando cada uma das pessoas do par conjugal (ou relacional) está bem consigo e com o outro. Cavalcanti e Lopes deixam claro isso, quando afirmam que “devemos chamar a atenção de que a DE apresentada é um problema do par e sua solução depende da colaboração do casal como um todo”(2).

Em suma: ela gostaria que o prazer, emoção e comunicação fossem vistos e tratados como uma coisa só. A mulher sabe o quanto é importante a espontaneidade no sexo e o tratamento dentro do possível, não deve comprometê-la, assim como deseja segurança no relacionamento e uma sexualidade prazerosa, propiciando um impacto positivo sobre sua qualidade de vida.

Frente às colocações anteriormente relatadas, fica claro um recado ao profissional médico que cuida da saúde sexual masculina: eles devem abordar a sexualidade (vivência), não apenas a função sexual. Vale muito uma reflexão com a frase abaixo de Cavalcanti & Cavalcanti(3).

“O ato sexual não é algo que se faz a alguém, mas algo que se faz com alguém”.

Escrito por: Gerson Pereira Lopes. Medico Ginecologista e Obstetra com Atuação em Sexologia, Ex- Consultor em Projetos sobre a Adolescência pelo Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) e coordenador do Departamento de Medicina Sexual do Hospital MaterDei – BH – MG

Referências

  1. Avasthi A, Grover S, Kaur R, Prakash O, Kulhara P. Impact of nonorganic erectile dysfunction on spouses: a study from India. The journal of sexual medicine. 2010 Nov;7(11):3666-74. PubMed PMID: 20059659.
  2. Cavalcanti R, Lopes G. Tratamento psicológico da disfunção erétil. São Paulo: Ponto Editora 2005.
  3. Cavalcanti R, Cavalcanti M. Tratamento Clínico das Inadequações Sexuais. 3a ed. ed. São Paulo: Roca Editora; 2006.

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