Frouxidão vaginal: condição comum impacta a vida sexual e emocional das mulheres

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Frouxidão vaginal: condição comum impacta a vida sexual e emocional das mulheres

19 mar. de 2026

Pauta é assunto de especialistas em congresso científico

 

A frouxidão vaginal, também conhecida como vaginal laxity, se caracteriza pela sensação subjetiva de que a vagina está mais larga ou flácida. Queixa frequente nos consultórios médicos, a condição está relacionada a alterações funcionais do assoalho pélvico e pode impactar diretamente a sexualidade, a autoestima e a qualidade de vida feminina.

De acordo com a Dra. Marair Gracio Ferreira Sartori, presidente da Comissão Nacional Especializada em Uroginecologia e Cirurgia Vaginal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO, a frouxidão vaginal não deve ser entendida como uma doença isolada, mas como um sintoma associado à perda do tônus da musculatura pélvica. “Ela pode estar relacionada ao envelhecimento natural, aos partos vaginais, a cirurgias prévias e às alterações hormonais, especialmente aquelas decorrentes do hipoestrogenismo”, explica. Entre as principais alterações anatômicas e funcionais envolvidas estão o alargamento do hiato genital, lesões do músculo levantador do ânus, fragilidade dos tecidos de sustentação e modificações no colágeno ao longo do tempo.

O impacto da frouxidão vaginal vai além da anatomia. Mulheres que apresentam essa queixa relatam diminuição da sensibilidade e do atrito durante a relação sexual, o que pode resultar em menor satisfação e afetar a vida íntima. “Essas alterações repercutem diretamente na autoestima e no bem-estar emocional”, destaca a especialista. Em situações mais complexas, como roturas perineais, prolapsos genitais ou associação com incontinência urinária ou fecal, o constrangimento e o impacto psicológico podem ser ainda mais significativos.

Tratamento – Atualmente, existem diferentes abordagens terapêuticas para o tratamento da frouxidão vaginal, que devem ser individualizadas conforme cada caso. O uso de estrogênio via vaginal pode aliviar sintomas como dor durante a relação. A fisioterapia pélvica é considerada o tratamento de primeira linha na maioria das situações, pois promove a reabilitação da musculatura, melhora o tônus, a força e a propriocepção, permitindo que a mulher reconheça e controle melhor as contrações do assoalho pélvico. Já as tecnologias baseadas em energia vêm sendo estudadas como opções complementares, embora ainda careçam de evidências científicas mais robustas.

A cirurgia, segundo a Dra. Marair, é reservada para casos específicos. “Quando não há defeito anatômico evidente, a fisioterapia costuma ser suficiente. A indicação cirúrgica ocorre principalmente quando não há resposta ao tratamento conservador ou quando existem prolapsos genitais, roturas perineais ou incontinências urinária e fecal associadas, de difícil manejo”, ressalta.

A especialista reforça a importância da avaliação médica individualizada e da abordagem multidisciplinar. Falar sobre frouxidão vaginal, buscar orientação especializada e conhecer as opções de tratamento são passos fundamentais para que as mulheres recuperem não apenas a função íntima, mas também a confiança e a qualidade de vida.

A pauta será debatida no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

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