Endometriose: doença que causa dor intensa e pode levar à infertilidade exige diagnóstico precoce e acompanhamento especializado

Compartilhe a publicação
Endometriose: doença que causa dor intensa e pode levar à infertilidade exige diagnóstico precoce e acompanhamento especializado

13 mar. de 2026

13 de março é Dia Nacional de Luta contra a Endometriose

A endometriose é uma doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em todo o mundo, especialmente durante o período reprodutivo. Apesar de relativamente comum, ainda é cercada por desinformação, o que frequentemente atrasa o diagnóstico e o início do tratamento adequado.

De acordo com o Dr. Ricardo de Almeida Quintairos, ginecologista, presidente da Comissão Nacional Especializada em Endometiose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO, a doença ocorre quando células semelhantes às do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, passam a se desenvolver fora da cavidade uterina.

“A endometriose é o implante de células do endométrio fora do útero, em locais como ovários, trompas, intestino ou outras estruturas da pelve. Dependendo de onde essas células se implantam, a doença recebe o nome da estrutura afetada”, explica o médico.

Ele destaca que a condição pode se manifestar de duas formas principais: a endometriose interna, também conhecida como adenomiose, quando o tecido invade a musculatura do útero; e a endometriose externa, quando as células se implantam fora do órgão, na cavidade abdominal.

Sintomas – Segundo o especialista,

“O quadro clínico da doença pode ser resumido basicamente em dois grandes problemas: dor e infertilidade”, afirma o médico.

Entre os sintomas mais frequentes da endometriose estão as chamadas “6 Ds”, um conjunto de manifestações que indicam diferentes tipos de dor associados à doença: a dismenorreia, caracterizada por cólica menstrual intensa; a dispareunia, que é a dor durante a relação sexual; a disquesia, dor ao evacuar; e a disúria, que corresponde à dor ou dificuldade para urinar. Além disso, muitas mulheres apresentam dor pélvica crônica, que pode ocorrer ao longo de todo o mês, independentemente do período menstrual, e podem enfrentar dificuldade para engravidar, já que a doença pode comprometer a fertilidade.

O Dr. Ricardo explica que esses sintomas muitas vezes são subestimados, o que pode retardar o diagnóstico. “Muitas mulheres escutam desde cedo que sentir cólica menstrual é normal e que a dor vai passar com o tempo ou depois da gravidez. Isso faz com que elas não valorizem os próprios sintomas e atrasem a busca por ajuda médica”, alerta.

Doença tem origem genética e imunológica

Durante muito tempo, acreditou-se que a endometriose era causada exclusivamente pela chamada menstruação retrógrada, quando o fluxo menstrual retorna pelas trompas para a cavidade abdominal. No entanto, os conhecimentos científicos mais recentes apontam para uma origem mais complexa.

“Hoje sabemos que a mulher não ‘desenvolve’ a endometriose ao longo da vida. Ela já nasce com a predisposição para a doença, que pode se manifestar em diferentes fases da vida”, explica o especialista.

Segundo ele, fatores genéticos, hormonais e imunológicos estão diretamente envolvidos no desenvolvimento da doença. “Os fatores genéticos e imunológicos têm um papel importante na endometriose. Além disso, trata-se de uma doença altamente dependente do hormônio estrogênio. Por isso, quanto mais ciclos ovulatórios e menstruais a mulher tiver ao longo da vida, maior pode ser o estímulo para a progressão da doença”, afirma.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da endometriose começa com uma avaliação clínica detalhada, baseada principalmente nos sintomas relatados pela paciente.

“A suspeita surge principalmente a partir do quadro de dor progressiva associado ao ciclo menstrual”, explica o médico.

Para confirmação diagnóstica, os exames de imagem são fundamentais. Entre os principais estão o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, indicado para mulheres que já iniciaram vida sexual, e a ressonância magnética da pelve.

A escolha do tratamento depende da gravidade da endometriose e dos sintomas apresentados pela paciente.

Segundo o médico, a abordagem inicial costuma ser clínica, com o objetivo de reduzir a ação do estrogênio no organismo e controlar a evolução da doença. “O tratamento inicial geralmente é feito com anticoncepcionais hormonais ou progestagênios, que ajudam a reduzir ou interromper os ciclos menstruais. Isso diminui o estímulo hormonal sobre as lesões de endometriose”.

A cirurgia é reservada para situações mais complexas ou quando o tratamento clínico não apresenta resultados satisfatórios. “O tratamento cirúrgico é indicado principalmente nas formas mais graves da doença ou quando há comprometimento de órgãos importantes, como intestino ou ureter”.

Para isso, o médico reforça a importância de não ignorar os sinais do corpo. “O mais importante é que a mulher não desvalorize a sua dor. Quanto mais cedo a doença for reconhecida e tratada, maiores são as chances de preservar a qualidade de vida e a fertilidade”, conclui.

Veja mais conteúdos

Teste genético que identifica mutações hereditárias para câncer de mama fará parte do SUS Notícias Ver notícia
Teste genético que identifica mutações hereditárias para câncer de mama fará parte do SUS

20 maio. de 2026

Leite materno: verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças Notícias Ver notícia
Leite materno: verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças

19 maio. de 2026

FEBRASGO alerta: implantes hormonais manipulados não têm comprovação de segurança e eficácia Notícias Ver notícia
FEBRASGO alerta: implantes hormonais manipulados não têm comprovação de segurança e eficácia

18 maio. de 2026

Comissão aprova audiência pública sobre má prática obstétrica com participação da FEBRASGO Notícias Ver notícia
Comissão aprova audiência pública sobre má prática obstétrica com participação da FEBRASGO

15 maio. de 2026

LGBTQIA+: Fertilidade ainda é discutida tarde demais e pode ser comprometida por hormônios e cirurgias Notícias Ver notícia
LGBTQIA+: Fertilidade ainda é discutida tarde demais e pode ser comprometida por hormônios e cirurgias

15 maio. de 2026

Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO Notícias Ver notícia
Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO

15 maio. de 2026

Nota FEBRASGO – CADERNETA BRASILEIRA DA GESTANTE Notícias Ver notícia
Nota FEBRASGO – CADERNETA BRASILEIRA DA GESTANTE

14 maio. de 2026

Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo Notícias Ver notícia
Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo

08 maio. de 2026

Endometriose exige atenção e acompanhamento para evitar impactos na saúde feminina Notícias Ver notícia
Endometriose exige atenção e acompanhamento para evitar impactos na saúde feminina

07 maio. de 2026

Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero Notícias Ver notícia
Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero

06 maio. de 2026

AMB celebra 75 anos com lançamento da pedra fundamental de sua nova sede em São Paulo Notícias Ver notícia
AMB celebra 75 anos com lançamento da pedra fundamental de sua nova sede em São Paulo

05 maio. de 2026

Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos Notícias Ver notícia
Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos

04 maio. de 2026