Brasil estima 66 mil novos casos de câncer de mama até o final do ano

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Brasil estima 66 mil novos casos de câncer de mama até o final do ano

27 out. de 2020

Febrasgo alerta queda de 84% no número de mamografias, em decorrência da pandemia de Covid-19, pode impactar no volume de complicações e óbitos decorrentes da doença

 

São Paulo, outubro de 2020. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que, até o fim deste ano, 66 mil novos casos de câncer de mama terão surgido no país. Paralelamente, o número de mamografias realizadas, no Brasil, caiu 84%, desde março, quando teve início a pandemia de Covid-19¹. Em meio às mulheres diagnosticadas com a doença, observou-se atraso no início do tratamento. Neste Outubro Rosa, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) alerta para os riscos da subnotificação à saúde da mulher. Nos últimos dez anos, os óbitos decorrentes câncer de mama crescerem 46% em todo país². Em meio ao atual cenário de acesso ao diagnóstico, projeta-se que a curva ascendente da quantidade de vítimas se intensifique.

 

Segundo o mastologista Dr. Guilherme Novita Garcia, membro da Comissão Nacional Especializada em Mastologia da Febrasgo, “o atraso no diagnóstico e tratamento da doença, prejudica todas as faixas etárias. Mas, o impacto da pandemia foi, sem dúvidas, muito maior na população com mais de 60 anos. Foram estas as pessoas que tiveram maior necessidade de isolamento social e consequentemente sem acesso aos diagnósticos e tratamentos”.

 

Após os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é a neoplasia mais frequente entre as mulheres de todas as regiões brasileiras. A incidência do câncer de mama tende a crescer progressivamente a partir dos 40 anos, assim como a mortalidade por essa neoplasia. O risco de óbito decorrentes da doença em meio às mulheres de 60 anos é 10 vezes maior quando comparado àquelas com menos de 40 anos de idade.

 

Diagnóstico

O mastologista Dr. Eduardo Camargo Millen, membro da CNE de Mastologia da Febrasgo, afirma que “é importante que as mulheres tenham a noção de que manter os cuidados ginecológicos em qualquer situação, fazer o preventivo e os exames da mama, faz parte da atenção à saúde da mulher. Com isso, além de diminuir o risco de detectar tumores avançados, também aumentam as chances de cura quando diagnosticadas precocemente”.

 

 

A doença

O câncer de mama é o mais incidente em mulheres em todo o mundo, representando 24,2% do total de casos em 2018, com aproximadamente 2,1 milhão de casos novos. É a quinta causa de morte por câncer em geral (626.679 óbitos) e a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres.

 

O sintoma mais comum da doença é o aparecimento de nódulo, geralmente indolor, duro e irregular. Eventualmente, pode ainda se manifestar com consistência branda, globosos e bem definidos. Outros sinais de câncer de mama são edema cutâneo semelhante à casca de laranja; retração cutânea; dor, inversão do mamilo, hiperemia, descamação ou ulceração do mamilo; e secreção papilar, especialmente quando é unilateral e espontânea. A secreção associada ao câncer geralmente é transparente, podendo ser rosada ou avermelhada devido à presença de glóbulos vermelhos. Podem também surgir linfonodos palpáveis na axila.

 

Não existe somente um fator de risco para câncer de mama, no entanto a idade acima dos 50 anos é um dos agravantes. Outros fatores que contribuem para o aumento do risco de desenvolver a doença são os fatores genéticos, hereditários, obesidade, sedentarismo e exposições frequentes a radiações ionizantes. “Os tumores de mama duplicam de volume a cada 100 dias. Quanto maior ele estiver, o risco de comprometimento dos linfonodos axilares cresce e a chance de a paciente receber tratamentos mais invasivos e com maiores danos aumenta. As mulheres com mais de 60 anos precisam fazer os exames de rotina na época programada, ou seja, a mamografia anual. Tumores quanto mais cedo diagnosticados, mais fáceis e rápidos serão o tratamento e menor a possibilidade de submeterem a quimioterapia. Fazer o diagnóstico precoce mesmo após 60 anos é muito importante”, conclui o Dr. Eduardo Millen.

 

¹ Números oriundos de levantamento realizado da Fundação do Câncer, a partir de dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

² MS/SVS/CGIAE – Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM Dados relativos ao período de 2009 a 2018.

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