Trato genital inferior pode ser a porta de entrada para o diagnóstico e acolhimento de mulheres vítimas de violência

Compartilhe a publicação
Trato genital inferior pode ser a porta de entrada para o diagnóstico e acolhimento de mulheres vítimas de violência

30 abr. de 2025

“Ao enxergar para além do exame físico, oferecemos cuidado integral e esperança às mulheres em situação de vulnerabilidade”, afirma presidente da FEBRASGO

 

Quando se fala em saúde da mulher, algumas áreas permanecem, ainda hoje, à margem do debate público. Uma delas é o trato genital inferior – composto pela vulva, vagina, colo do útero e suas estruturas adjacentes. Essa região do corpo feminino, além de demandar atenção clínica, pode ser também um importante ponto de alerta para identificar sinais de violência doméstica.

 

Segundo o Atlas da Violência 2024, mais de 116 mil casos de agressões contra mulheres ocorreram dentro de casa em 2022. Dados como esses reforçam a necessidade de um olhar mais atento e humanizado por parte dos profissionais de saúde, especialmente ginecologistas e obstetras.

 

Diante desse cenário, a FEBRASGO lança a Campanha Nacional #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher em todas as fases da vida, em parceria com as Sociedades Estaduais de Ginecologia e Obstetrícia. A iniciativa visa ampliar o debate sobre todas as formas de violência que acometem mulheres – desde a infância até a velhice – incluindo -, ainda, os episódios de violência sofridos por médicas em exercício profissional.

 

Para a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), é papel da ginecologia ir além da técnica: “Nós devemos agir e amparar as mulheres na identificação da violência e na capacitação para as tomadas de decisões. O conhecimento permite que o médico atue, desde a escuta adequada, o acolhimento, notificação, registro, acompanhamento e encaminhamento articulado e intersetorial”, afirma.

 

A violência doméstica, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma grave violação dos direitos humanos e um problema de saúde pública, manifesta-se em diferentes formas: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. No contexto ginecológico, sinais como dor persistente durante o exame de toque, lesões repetidas na vulva e na vagina, sangramentos inexplicáveis, infecções recorrentes e até o medo ou recusa em se despir para uma avaliação podem indicar mais do que uma condição clínica: podem ser vestígios de agressão sexual ou emocional.

 

Estudos apontam que mulheres em situação de violência tendem a buscar mais serviços de saúde do que aquelas que não sofrem agressões. No entanto, a falta de preparo de parte dos profissionais ainda é um entrave. Capacitações, protocolos de escuta ativa e parcerias com redes de proteção são essenciais para que o atendimento vá além do exame clínico.

 

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024 revelam um crescimento expressivo nos casos de importunação sexual (+48,7%), violência psicológica (+33,8%) e violência doméstica (+9,8%) em relação ao ano anterior. O relatório aponta que um estupro é registrado a cada seis minutos no país, sendo que 88,2% das vítimas são do sexo feminino e 61,6% têm até 13 anos de idade.

 

É fundamental compreender que o ciclo de violência contra a mulher só será rompido com a atuação de uma rede articulada, comprometida e preparada. Neste sentido, os consultórios ginecológicos tornam-se espaços privilegiados de acolhimento. “Cada consulta ginecológica é uma oportunidade de salvar uma vida. Ao enxergar para além do exame físico, oferecemos cuidado integral e esperança às mulheres em situação de vulnerabilidade”, explica a Dra. Maria Celeste, que também preside a Comissão de Núcleo Feminino da FEBRASGO.

Veja mais conteúdos

Teste genético que identifica mutações hereditárias para câncer de mama fará parte do SUS Notícias Ver notícia
Teste genético que identifica mutações hereditárias para câncer de mama fará parte do SUS

20 maio. de 2026

Leite materno: verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças Notícias Ver notícia
Leite materno: verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças

19 maio. de 2026

FEBRASGO alerta: implantes hormonais manipulados não têm comprovação de segurança e eficácia Notícias Ver notícia
FEBRASGO alerta: implantes hormonais manipulados não têm comprovação de segurança e eficácia

18 maio. de 2026

Comissão aprova audiência pública sobre má prática obstétrica com participação da FEBRASGO Notícias Ver notícia
Comissão aprova audiência pública sobre má prática obstétrica com participação da FEBRASGO

15 maio. de 2026

LGBTQIA+: Fertilidade ainda é discutida tarde demais e pode ser comprometida por hormônios e cirurgias Notícias Ver notícia
LGBTQIA+: Fertilidade ainda é discutida tarde demais e pode ser comprometida por hormônios e cirurgias

15 maio. de 2026

Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO Notícias Ver notícia
Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO

15 maio. de 2026

Nota FEBRASGO – CADERNETA BRASILEIRA DA GESTANTE Notícias Ver notícia
Nota FEBRASGO – CADERNETA BRASILEIRA DA GESTANTE

14 maio. de 2026

Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo Notícias Ver notícia
Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo

08 maio. de 2026

Endometriose exige atenção e acompanhamento para evitar impactos na saúde feminina Notícias Ver notícia
Endometriose exige atenção e acompanhamento para evitar impactos na saúde feminina

07 maio. de 2026

Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero Notícias Ver notícia
Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero

06 maio. de 2026

AMB celebra 75 anos com lançamento da pedra fundamental de sua nova sede em São Paulo Notícias Ver notícia
AMB celebra 75 anos com lançamento da pedra fundamental de sua nova sede em São Paulo

05 maio. de 2026

Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos Notícias Ver notícia
Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos

04 maio. de 2026