Vírus causador do câncer de colo uterino é recorrente e maioria se infecta, diz FEBRASGO

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Vírus causador do câncer de colo uterino é recorrente e maioria se infecta, diz FEBRASGO

28 fev. de 2023

Ginecologistas explicam que vacinação e exames de rotina são caminho para não desenvolvimento da doença

O Março Lilás marca um período de atenção especial à saúde da mulher, sendo o período dedicado a campanhas de conscientização, prevenção e combate ao câncer de colo uterino. Esse tipo de neoplasia é uma das maiores causas de morte entre as mulheres no mundo, e atinge principalmente jovens, entre 30 e 49 anos.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 17.010 novos casos da doença este ano, o que significa um risco considerado de aproximadamente 13 casos a cada 100 mulheres – estimativa 6% maior em relação ao ano passado.

O também conhecido como câncer cervical pode ser causado pela infecção persistente de alguns tipos oncogênicos do HPV (papilomavírus humano). A Dra. Márcia Terra, vice- presidente da Comissão Especializada em Trato Genital Inferior da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica que o vírus é causador da infecção viral mais comum no trato reprodutivo e que a maioria das mulheres e homens sexualmente ativos será infectada em algum momento de suas vidas e algumas pessoas podem apresentar infecções recorrentes.

 

“O HPV é um vírus que infecta pele ou mucosas (oral, genital ou anal), tanto de homens quanto de mulheres, provocando verrugas anogenitais, e pode levar no futuro ao câncer de colo de útero, para uma determinada parcela de pessoas que não tem o hábito de cuidar da saúde, atingindo as mulheres que não fazem a prevenção e exames adequados”, destaca a médica.

Professor Associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e ICESP, o Dr. Jesus Paula Carvalho, também membro da Comissão Especializada em Ginecologia Oncológica da FEBRASGO, alerta que a prevenção primária começa pela vacinação. “Desde 2014 existem vacinas contra o HPV, gratuitas na rede pública de saúde, para meninas de 9 a 14 anos e também para os meninos. A importância de vacinar os meninos é para que eles não transmitam o HPV para as suas parceiras, quebrando a cadeia de transmissão. Isso evita o surgimento da doença”, explica.

Já a prevenção secundária é feita por exames que detectam a doença quando ainda não há sintomas, como o Papanicolaou ou teste para detecção do HPV. “Quando estes exames [colposcopia realizada em consultório] são positivos, a mulher é submetida a um exame para encontrar o lugar onde as células cancerosas estão se desenvolvendo e se faz uma biópsia”, elucida.

Carvalho lembra ainda que é possível fazer o diagnóstico da doença que ainda nem se disseminou para outros órgãos, e o tratamento nessa fase inicial é muito simples e dura alguns minutos em um consultório. Nas fases avançadas, a paciente apresenta tumor ulcerado no colo do útero e faz-se uma biópsia.


Sintomas

A doença desenvolve-se ao longo de muitos anos (pode ser de mais de 10 anos). No início não apresenta qualquer sintoma, mas já pode ser detectado colhendo-se material do colo do útero e da vagina. Os primeiros sintomas aparecem muitos anos depois, na forma de sangramento durante as relações sexuais e corrimento vaginal. Nas etapas mais avançadas apresenta sangramento vaginal intenso, corrimento fétido e dor. Nas fases terminais ocorre a obstrução das vias urinárias.


Tratamento

Sobre o tratamento, o Dr. Jesus esclarece que nas fases não invasivas, em consultório, é possível retirar a lesão, cauterizar, fazer laser ou mesmo a retirada cirúrgica. Todos os métodos elevam as taxas de cura se aproximam de 100% na fase não invasiva da doença.

“Quando o tumor se torna invasivo, ainda é possível curar nas fases não muito avançadas, mas já se faz necessário retirar o útero e muitas vezes as estruturas vizinhas do útero. E quando a doença avança mais ainda, o que é muito comum no nosso meio, revela o Dr. Jesus, o tratamento é feito por radioterapia e quimioterapia. Estes tratamentos deixam sequelas importantes, comprometem a função reprodutiva e sexual e as taxas de cura são menores (cerca de 50%)”, enfatiza.

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